Homenagem aos 150 de nascimento de Cruz e Sousa- 1861-2011.

 

Pérola Negra do meu Brasil

 

Pérola Negra da literatura do meu país

Vislumbrei o toque silencioso das tuas preces

Li a Antífona e dedilhei pouco a pouco

No limiar dos teus desertos.

Vi as formas alvas das divinas nuvens

Que vem e vão à simbiose ondulante das rimas

Salmodiei em surdinas preparando-me

Para a fecundidade melindrosa dos venenos pueris

Da aurora que despertava no pólen

Em todos os eflúvios por onde passavas...

Galguei os píncaros dos teus desmaios

Teu céu ansioso das estrelas

Junto aos arcanjos e cristais

Subindo em cantos formulando ritos

De diferentes ângulos musicais

Vesti as vestes angelicais com aromas de incenso

Que se perdiam nos sonhos da tua eternidade...

Sim... Da tua eternidade!

 Brasil meu povo,

 Minha bandeira... Meu chão!

Um grito alucinante percorreu caminhos

Introspectivos desalentos

Que se iam à sutileza do que já era...

Vestes brancas em sonhos juvenis

Figura em noite de temporais eternos

Dos santos que da liturgia nada tinham

Qual flor desabrochando em desalinho

Intrépida manhã no arrolho em pio

Surge o negro cantando e poetando

Na Ilha que descobre concha

Clara, intrépida, no recôndito do teu mar

Das brumas do teu salitre

Pérola fibra de poeta,

És tu, Cruz e Souza

Enaltecendo o nosso Brasil

Nas fibras de teu manto poeta

Nas siderações ansiosas das estrelas

Então desperta com tuas rezas

Teus trechos das ave-marias

O poeta na madrugada dos dias

E reza baixinho o terço intumescido

Entre seus dedos enrugados pelo cansaço

Das descrenças e dos preconceitos

Que doíam na carne ainda jovem dos teus dias

Crê em um novo estandarte

Libertação... O devaneio das letras

Dirigindo poemas... Poesia e contos

Desfraldando com galhardia um novo continente,

Poeta simbolista... Poeta do nosso Brasil.

 

Vera De Barcellos

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