Panegírico- Academia de Letras de Biguaçu- Othon da Gama Lobo D'Eça, proferido pela acadêmica Vera Regina da Silva de Barcellos em 16 de dezembro de 1996

 

Othon da Gama Lobo D’Eça

Patrono da Cadeira n. 34

ACADEMIA DE LETRAS JOÃO  EVANGELISTA DA COMARCA DE  BIGUAÇÚ

 

         Othon da Gama Lobo D’Eça nasceu em 3-8-1892 em Florianópolis, e falecido 7-2-1965, também em Florianópolis.

Foi, como jornalista, poeta e ficcionista, havendo sido o maior destaque inicial da Academia Catarinense de Letras, da qual foi o último Presidente de sua fase inicial.

Com vinte anos de idade lançou a idéia de fundar uma Academia de Letras.

 

Em 1918 lançou seu primeiro livro intitulado “Cinzas e Brumas” e dois anos depois em 1920 fundou e dirigiu a revista “Revista Terra” com Altino Flores e Ivo D’áquino, chegando somente até ao número 24.

 

Neste mesmo ano funda a Sociedade Catarinense de Letras juntamente com José Boiteux e outros simpatizantes da literatura e alguns políticos.

Quatro anos depois em 1924 passaria e denominar-se Academia Catarinense de Letras.

 

Vamos entender essas duas questões, voltaremos a 1912, para dizer que neste ano D’Eça teve a ideia de fundar uma Academia Catarinense de Letras em Santa Catarina. A ideia foi publicada em um jornalzinho literário chamado O Argo, de Altino Flores (Idem). A ideia que não se concretizou. Segundo o próprio D’Eça, o cenário catarinense na literatura eram de “doer o coração”. Eram pouquíssimos escritores e muitos, desses que publicavam, eram péssimos.

A precariedade de Santa Catarina na venda de livros era grande. A comunicação entre os escritores se dava principalmente por artigos publicados em jornais e revistas. Nessa época, os principais escritores catarinenses, como Othon D’Eça e Altino Flores, criticavam veemente a situação em que se encontrava a produção literária em Santa Catarina e buscavam no exterior as orientações para a estética literária.

Em 1920 a ideia foi retomada, quando foi fundada a Sociedade Catarinense de Letras, devido a certo amadurecimento da literatura em Santa Catarina, iniciado pela publicação de Cinza e Bruma (1918) escrita por D’Eça e da já citada revista Terra.

Cinza e Bruma é um livro triste de poesias, cujo tema principal é a saudade. Alguns críticos dizem que poderia ter influência do clima de tristeza causado pelo impacto da primeira Guerra Mundial.

A revista Terra circulou entre os anos 1920 e 21, mas chegou somente ao número 24.

No inicio mensal e mais tarde semanal, a revista trazia poesias, prosas e, em certos fascículos, questões políticas daquela época.

 

D’Eça esteve presente na fundação da ACL e ocupou a presidência de 1945 até a sua morte em 1965. Porém, a postura de D’Eça se diferencia um pouco dos outros membros da ACL, apesar das influencias serem as mesmas.

Aparentemente havia um descompasso entre a ACL e as tendências literárias do resto do país. Na época de criação, os membros da ACL estavam voltados para o Parnasianismo quanto à literatura e ao Naturalismo nas artes plásticas. Repudiavam o estilo dos Modernistas 11 que nesse período começam a ganham força, principalmente em São Paulo com a Semana de Arte Moderna (1922), os quais em Santa Catarina praticamente não foram citados em nenhum jornal ou revista. Para a Academia, o verdadeiro Modernismo deveria manter-se dentro de parâmetros sensatos e que os escritores deveriam “observar e realizar”, não iludir.

Porém, merece ser destacada a obra de D’Eça Vindicta Braba, onde os personagens falam os dialetos locais, inclusive os erros gramaticais. Para Paschoal Apóstolo Pítsica, essa novela de D’Eça teria um pouco da contestação dos Modernistas de 22, em relação ao “brasileirismo” da língua (PTSICA, 2001:45).

A posição do grupo de escritores da Academia sobre o Modernismo gerou uma grande polêmica no campo das letras em Santa Catarina. Para contrapor esses escritores da ACL, por volta de 1947 surgiu o Círculo de Arte Moderna, que posteriormente seria denominado Grupo Sul.

Segundo Celestino Sachet, Homens e Algas se aproximam muito da ficção Modernista do Grupo Sul, ou das ficções Realistas de José Américo de Almeida e Graciliano Ramos sobre o Nordeste (D’EÇA, 1992b: 25). Portanto, vemos que, apesar de criticar o Modernismo,

D’Eça era o membro da Academia mais aberto à outras tendências, mantendo um debate aberto com os outros escritores.

 

Desde o surgimento da Academia Catarinense de Letras (ACL) – em 1921 em substituição à já referida Sociedade Catarinense de Letras – as questões políticas já davam o tom das publicações. Os intelectuais tinham uma considerável aproximação com o partido Republicano. Mas o ódio federalista se encontrava principalmente em intelectuais como Othon D’Eça e Laércio Caldeira de Andrada, que tinham parentes diretos mortos no massacre de Anhatomirim.

Acompanhando as tensões políticas da década de 20, a maioria dos membros da ACL eram aliados à Hercílio Luz. Na verdade, as disputas políticas do estado estavam dentro do partido Republicano, que possuía duas repartições mais fortes, a de Hercílio Luz e de Vidal Ramos, quando as duas outras lideranças (Lauro Müller e seu primo Felipe Schmidt) se encontravam afastadas, no Congresso Nacional (CORREA, 1996:47-48).

Publica em 1922, sua novela intitulada “Vindita Brava” sob iniciativa de Monteiro Lobato no jornal A República..

Esta obra é novamente publicada no ano seguinte pela Revista Brasil, também neste ano de 1923 conclui o curso de Direito no Rio de Janeiro.

 Em outubro do ano seguinte, foi publicada em São Paulo pela Revista do Brasil, por iniciativa também de Monteiro Lobato. Vindicta Braba é uma novela baseada no assassinato de um rapaz, Miguel, pelo pai de Constança, pois Miguel a havia difamado. Sem saber do crime, Constância vai embora com o “namorado”. O pai adoece e morre, deixando sozinha a mãe. Vindicta (que significa vingança premeditada) Braba acontece na região da Carvoeira e Trindade, bairros da Ilha de Santa Catarina e o enredo todo está baseado na investigação do assassinato, que o leitor, desde o inicio, já sabe quem é. Com um vocabulário local, que indica um grande trabalho de pesquisa,

D’Eça descreve os acontecimentos e os personagens, dando ênfase inclusive à paisagem, fortemente marcada pelas plantações de laranjeiras e café.

Othon justifica o formato de novela da obra: este formato “levaria aos doutos um material para estudos de história e crítica filológica e àqueles espíritos leves que preferem os enredos – um pouco de distração e de interesse” (D’EÇA, 1992c:12). Os personagens presentes em Vindicta Braba existiram, segundo Othon, assim como os personagens de Homens e Algas.

Em Vindicta Braba, os valores modernos vão trazer a ruína à família. Ou seja, em oposição ao posicionamento de Monteiro Lobato no qual a solução para o atraso do seu personagem (o Jeca Tatu) foi a modernização, para Othon esse processo causou uma tragédia.

Mesmo assim, como afirma Celestino Sachet, a novela foi publicada, “meio à força”, na revista de Lobato (D’EÇA, 1992c: 19)

 

Em 1926 ocupa o cargo de Juiz de Direito, em Campos Novos, interior de Santa Catarina e em 1929 acompanha a jornada desbravadora do então governador Adolfo Konder pelo oeste catarinense e ao desenvolver sua habilidade literária escreve em seu diário o resultado desta viagem resultando no livro “... aos Espanhóis Confiantes”.

 

         Quando em Santa Catarina na cidade de Florianópolis, foi fundada a Faculdade de Direito, Othon Gama D’Eça fez parte dela integrando-se ao corpo docente, diplomando-se em 1935.

 

Em 1938 começa a escrever em sua casa de férias na praia de Coqueiros o livro “Homem e algas” sua obra mais celebre que seria publicada somente em 1957 pela Imprensa Oficial do Estado e reeditada em 1979 pelo Conselho Estadual de Cultura.

 

Partiremos da obra que consagrou Gama D’Eça: Homens e Algas. Publicada pela primeira vez em 1957, ela foi escrita durante anos, iniciada nos anos 20. Trata-se de contos inspirados pela sua convivência com os pescadores da Praia dos Coqueiros, (atual Praia da Saudade, localizada na Baia Sul da Ilha de Santa Catarina na parte continental da Cidade de Florianópolis). Era uma casa de veraneio, onde, mais tarde, D’Eça realmente fixa residência.

Segundo D’Eça, a praia de coqueiros ainda não havia sido transformada pela crescente urbanização. Em suas palavras, “as hordas elegantes ainda não haviam expulsado, com vagar, método e bangalôs, das suas velhas moradas, os velhos nativos” (D’EÇA, 1992b: 19).

O fato é que o titulo do seu mais famoso livro, Homens e Algas, remete a esta condição da modernização capitalista. Para D’Eça, os pescadores seriam como algas, expulsas pelo mar por não lhe serem mais uteis:

Dormem misturados aos rebotalhos das redes e aos detritos úmidos das vagas,

ligados no mesmo destino e confundidos nas mesmas causas – homens e algas

cuspidos todos numa praia, sob o sol dourado e vivo: as algas pelo mar e os

homens pela miséria. (D’EÇA, 1992b:42)

Em artigo publicado no jornal Roteiro, de Florianópolis, em 1958 e transcrito no prefácio de Homens e Algas, D’Eça afirma o tempo todo que os contos de seu livro são fatos que realmente aconteceram e a sua intenção fora sempre denunciar a miséria na qual viviam os moradores da região:

 

Em 1948 foi então nomeado Secretário do Estado dos Negócios da Segurança publica e torna-se catedrático de Direito Romano neste mesmo ano na faculdade de Direito.

 

Ao longo do ano de 1948, diversas denúncias foram feitas à polícia militar, com ênfase ao abuso de autoridade desta e com ataques pessoais ao Secretário de Segurança Pública Othon D’Eça. No jornal Diário da tarde de 29 de março deste mesmo ano, há na primeira página uma denúncia dedicada a Othon D’Eça sobre algumas práticas, pois após ter sido avisado da brincadeira do boi na vara2, o Secretário de Segurança pública não se manifestou:

Saibam todos que no ano de 1948, no Governo de Sr. Dr. Aderbal Ramos da Silva, sendo secretário de Segurança o Sr. Dr. Othon da Gama D’Eça, na capital do Estado de Santa Catarina ainda se usa colocar o boi na vara, sujeitando aos maiores tormentos e as mais inauditas torturas, sem que aos autores de tão bestial brincadeira aconteça a maior contrariedade ((DIÁRIO DA TARDE, 29/03/1948)

Como vimos, o jornal da oposição ressalta o autoritarismo de D’Eça no exercício da função.

 

O Boi na vara, segundo Othon D’Eça, é “uma diversão antiga, muito querida na ilha e em alguns pontos praieiros do continente”. Coloca-se uma vara fincada no chão e na extremidade amarra-se uma corda com um boi. No meio da vara, coloca-se um boneco vestido de vermelho, quando o boi se afasta do boneco, este desce perto do chão, pois a vara fica envergada, quando o boi se aproxima o boneco sobe. Esta descrição encontra-se no Glossário de Vindita Braba (D’Eça, 1992c, p. 78).

 

      Empreende uma viagem ao Paraguai de que resulta um livro (ainda inédito) intitulado Nossa Senhora de Assunção, traçando uma trajetória pela tão bela e pitoresca capital.

 

Além de líder do movimento integralista de Santa Catarina, Othon D’Eça foi diretor do jornal Flamma Verde, que foi veiculado de 1936 a 1938. De orientação Integralista, o jornal veiculava notícias sobre a Alemanha Hitlerista, pronunciamentos e textos do chefe nacional Plínio Salgado e de outros Integralistas. Apresentava também manuais de conduta aos membros da AIB, convocava o povo a juntar-se ao movimento e continha textos, eventos

e a participação dos dirigentes. Flamma Verde, que era veiculado segundo o próprio jornal, “em todos os municípios de Santa Catarina e em todos os Estados do Brasil” (FLAMMA VERDE, 30/01/1937), também destacava as notícias sobre o chefe municipal, Jeremias de Oliveira, e o chefe provincial, Othon D’Eça.

 

         Em um texto chamado Três Gerações (5 de maio de 1968), Plínio Salgado divide a trajetória de sua militância em arregimentar pessoas ao Integralismo em três gerações.

 

Salgado cita Othon na primeira dessas gerações, atribuindo-lhe a tarefa de orientar a “gente nova” do estado de Santa Catarina (WWW.INTEGRALISMO.ORG.BR). Esse trecho mostra a importância de Othon D’Eça dentro do movimento integralista, destaca-se, portanto, a sua posição de chefe provincial e sua responsabilidade em relação ao movimento. Segundo Othon d’Eça, neto de Othon Lobo da Gama d’Eça, o rompimento de seu avô com a AIB deu-se por desentendimentos com Plínio Salgado em relação ao Estado Novo.

 

          Realmente, a saída de d’Eça da AIB deu-se em 1937. Seu neto afirma que d’Eça foi oposição a Vargas no Estado Novo, fazendo inclusive discursos inflamados da sacada de seu casarão, de frente para a praça central da cidade de Florianópolis.

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         Othon da Gama Lobo D’Eça faleceu a 7 de setembro de 1965 sendo que a 19 de março do mesmo ano a faculdade de direito lhe concedeu o Diploma Emérito , post mortem.

 

         Esta ilustre personalidade multiforme como artista múltiplo, professor, orador, poeta e prosador, pintor, músico e pianista além de colecionador de antigüidades deixou-nos um grande legado.

Um homem como ele deixa em sua trajetória a posteridade trunfos de inigualável valor.

 

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e fundador da Academia  Catarinense  de  Letras em que ocupou a cadeira no 15         cujo patrono é Cruz de Souza e por muitos anos exerceu triunfante e com um inabalável domínio comunicativo a presidência da mesma.

 

         Já nos dizia Nereu Ramos que Othon Gama D’Eça era um intelectual de brilhante inteligência e cultura, um conversador admirável e um homem humaníssimo, sempre afável, idealista, animado e cheio de planos.

         Dentre sua produção literária a importância da prosa destaca-se “Homem e Algas”, uma série de contos e crônicas que formam um vasto painel e distinção do homem e o mar.

É retratos sofridos, comoventes e dramáticos de pescadores, gente pobre e simples da Ilha cuja vida e morte estão ligadas ao mar, como também de seus familiares.

         Othon Gama D’Eça foi um grande paisagista como pintor sabendo captar a poesia das marinhas, seu colorido e suas tormentas nos vendavais característicos da Ilha.

 

         Othon D’Eça era descendente de Marechal Manuel de Almeida Lobo Gama D'Eça, o Barão de Batovi, militar catarinense e veterano da Guerra do Paraguai. Seu envolvimento com os revoltosos da marinha, oposição ao Presidente Floriano Peixoto resultou em fuzilamento sem julgamento, na Ilha de Anhatomirim em 1894.

 

        Temos na cidade de Florianópolis uma das principais avenidas com o seu ilustre nome, destacando-se para a entrada da beira-mar norte dando esta avenida diretamente no mar, onde tantas vezes o nosso poeta tão bem decifrou as revoltas das ondas, o vento inebriado de friagem e chuviscos das brumas salgadas. Esta avenida pousa mansamente e o poeta, onde esteja agora junto às estrelas, canta decifradamente os mistérios do mar e de sua gente...

                                                       

         Vera de Barcellos

 

Alguns recortes, sites e depoimentos:

 

Meu avô Othon

   Passeando na net, nem sei como cheguei até aqui, mas que alegria !Encontrei este artigo sobre o meu amado e inesquecível Avô.

Puxa, tanto tempo já passou e eu era tão pequena quando ele se foi, mas ainda há memórias tão claras, que saudades....

 

Foi um GRANDE AVÔ!

Vejam o que ainda escrevem sobre ele:

 

Saiu no Correio do Contestado, 01 de Agosto de 2009

"UM GRANDE INTELECTUAL CATARINENSE

Formei-me em Direito, na turma de 1966. Nos seis anos em que tive o privilégio de frequentar aquela catedral de ensino e saber, pude conviver com inúmeros colegas de grande valor, que brilham na judicatura, advocacia, no movimento cultural e na vida pública. Mas inesquecível, mesmo, foram alguns mestres que tiveram a capacidade de lapidar com esmeril a pedra semibruta tão carinhosamente esculpida por nossos pais. Mestres como os Drs. Osmundo Wanderley da Nóbrega, Madeira Neves e Henrique Stodieck, e o professor de Direito Romano, Othon da Gama Lobo D'Eça, cujos 117 anos de nascimento transcorrerão nesta segunda-feira, 3 de agosto. Ele era um dos 37 Bacharéis em Direito domiciliados em Florianópolis que, no dia 2 de fevereiro de 1932, receberam convite da Comissão Especial que pretendia instituir o ensino jurídico em Santa Catarina. Foi um de seus fundadores e, posteriormente, um de seus mais importantes mestres. No local, o primeiro andar de um prédio (ainda existente) localizado na Rua Felipe Schmidt, no 2, esquina com a Praça 15 de Novembro, em Florianópolis, foi aposta uma placa solene: “Faculdade de Direito de Santa Catarina”. A veia humorística e galhofeira dos ilhéus não perdoou a novidade. Como no térreo, funcionava, há anos, a Alfaiataria do Didico, deram esse apelido à novel Faculdade. Gama D'Eça, junto com outros beneméritos, além de custear o espaço físico, doou ações do Banco de Crédito Popular e Agrícola, viabilizando os primeiros tempos da então nascente faculdade. Em 3 de maio de 2002, na comemoração dos setenta anos da primeira aula de Direito ministrada em Santa Catarina, o Des. Norberto Ungaretti lembrou uma passagem que merece registro. O prof. Moura Ferro, catedrático de Introdução à Ciência do Direito, repetia em suas aulas que “o direito é um fenômeno social”. Isto de manhã. À tarde, o prof. Gama D'Eça, catedrático de Direito Romano, ensinava-nos que “o direito é um fenômeno natural”. Provocado por um aluno sobre esta contradição, e perguntado em que se devia acreditar, o prof. Moura Ferro respondeu, com um sorriso, que mal disfarçava a simpatia e a amizade que devotava àquele seu colega e amigo: “O Gama D'Eça, sendo professor de Direito Romano, está dois mil anos atrasado”. Além de mestre do Direito Romano, Gama D’Eça era dedicado à literatura, especialmente à poesia. Ainda estudante de Direito, publicou, em 1918, seu primeiro livro “Cinzas e Brumas”. Fundador da nossa mais antiga Faculdade de Direito, “Baby” Gama D’Eça (como era carinhosamente chamado), fundou, também, depois de várias tentativas frustradas (com Altino Flores, José Arthur Boiteux e outros), a Academia Catarinense de Letras, cujos estatutos foram aprovados em maio de 1921, e cuja instalação deu-se a 15 de novembro do mesmo ano. No Conselho Universitário, onde representei os alunos, tive o privilégio de muitas conversas com ele. Além de extremamente culto, tinha um fino bom humor imortal pela sua copiosa obra, Othon da Gama Lobo D'Eça foi presidente da nossa Academia de literatos, de 1945 até sua sentida morte, em 1965.

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA – Governador do Estado de Santa Catarina"

Postado há 23rd August 2009 por Vivendo e descobrindo !!!

  

 

ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS

 

Sucessões:

 

 A Presidência da Academia Catarinense de Letras passou em 1945 a Othon Gama D'Eça, numa situação cômoda para o novo titular, porquanto era parente da esposa do anterior, e ainda porque o mesmo Othon Gama d'Eça já estava escolhido como Secretário de Segurança do novo Governador eleito, Aderbal Ramos da Silva (empossado em 1947), este como sobrinho de Nereu Ramos bem como ainda casado com Ruth Hoepcke. Ficará 20 anos na Presidência, até sua morte em 1965.


              Mesmo sem grandes novos avanços da mesma Academia de Letras, evoluía contudo o ambiente literário como um todo, que discutia com maior intensidade as novas diretrizes, ao mesmo tempo que as anteriores. Surgiam também as escolas de nível superior, - a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, em fins de 1954, e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1960. 


               À época se expressaram dois movimentos modernistas, - SUL e LITORAL, com forte autopromoção. Depois de praticamente desaparecidos os mencionados movimentos, alguns dos seus acionadores optaram por ingressar na Academia Catarinense de Letras, até porque esta, em princípio, não impõe estilos literários, mesmo quando eventualmente possam predominar os mentores de determinada corrente. 

 

ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS E ARTES

 

Othon da Gama Lobo D’Eça, Patrono da cadeira nº2, tendo como  fundador o acadêmico Wesley O. Collyer.

 

Othon da Gama lobo D’Eça – Nasceu na antiga Desterro a 3 de agosto de 1893 e faleceu em 7 de fevereiro de 1965. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, professor e orador. Docente Livre de Direito Romano na Faculdade de Direito de Santa Catarina. Como escritor e poeta, produziu obra que enriquece a literatura catarinense. Presidiu durante muitos anos a Academia Catarinense de Letras. Participou do movimento integralista, com Plínio Salgado, Gustavo Barroso e outros, tendo sido chefe Provincial em Santa Catarina. Quando faleceu, a faculdade de direito em que lecionava concedeu-lhe o título de Professor Emérito. Othon da Gama Lobo D1Eça foi, no seu tempo, um dos expoentes maiores da cultura catarinense.

 

 

Escrito de primeira página no site Mar da Ilha & outros Mares, lemos a seguir:

 

O advogado e escritor Othon da Gama Lobo D’Eça nasceu em Florianópolis em 3 de agosto de 1892. O livro “Homens e Algas”, uma de suas principais obras, é um retrato fiel e impactante dos pescadores que viviam em Florianópolis, na metade do século passado. Publicado originalmente em 1957, as histórias de Homens e Algas, começaram a ser escritas em 1938, na época em que o  escritor costumava descansar em sua casa de férias, na Praia de Coqueiros, muitos anos antes do balneário tornar-se o referido dos moradores da cidade. No prefácio escrito em 1957 e mantido nesta nova edição, Othon da Gama Lobo D’Eça afirma que em “Homens e Algas não se fez ficção porque o seu intuito foi gravar em resumos curtos e secos, verdades vivas e amargas, que valem muito mais que os relevos dos frisos e as galas da imaginação”. Faleceu em 7 de fevereiro de 1965, em Florianópolis.

 

 No site da LITERATURA CATARINENSE- OTHON D’EÇA

 

Othon Gama d'Eça, nasceu na antiga Desterro, hoje Florianópolis, em 1892 e morreu em 1965,filho de Nuno Gama d'Eça e de Maria Luiza Crespo. Foi um escritor que se destacou pelo seu talento e pela cultura, engrandeceu as letras de Santa Catarina, com sua vocação.

  1912- Lança informalmente a ideia de se fundar em Florianópolis uma Academia de Letras, oito anos depois concretizada.

  1918-Lança seu primeiro livro de prosa poética Cinza e Bruma.

  1920-Fundou com amigos a Sociedade Literária Catarinense de Letras que, em 1924, passou a se chamar Academia Catarinense de Letras, teve grande importância no desenvolvimento da literatura catarinense. 

  1923-É publicada no jornal "A republica" a novela Vindita braba. Conclui o curso de Bacharel em Direito, pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro.

  1926-Foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Campos Novos.

1929-Viajou pelo interior do Estado, em campanha politica. Amigos reúnem as notas do diário, (Aos Espanhóis Confiantes), publicado pela livraria moderna de Florianópolis.

  1935-Recebe da faculdade de Direito de Santa Catarina o Diploma de Docente Livre em Direito Público internacional.

  1938-Inicia na casa de Praia de Coqueiros, as primeiras paginas de Homens e algas.

  1948-Redemocratizado o país, foi Secretário de Estado dos Negócios da Segurança Pública de Santa Catarina.

  1951-Passa a orientar a pagina semanal Prosa e Verso no jornal "O Estado".

  

1953-Recebe o Diploma de Catedrático de Direito Romano da Faculdade de Direito de SC. Viaja ao Paraguai, trazendo as impressões de viagem reunidas em Nuestra Señora de Asunción.

  1957-Publica, o livro de crônicas, contos e memorias Homens e Algas. O livro mais importante.

  1959-O conto “O Pica-pau" que integra a obra Historias e Paisagens do Brasil, no volume Pinheiras e Marinhas.

 

Um poema de Othon Gama d'Eça:

 

             POEMAS DA MINHA ILHA- (A Ivo d'Aquino )

 

                  Torres de São Francisco! Velhas torres,

                  Cheias de lenda e de tranquilidade,

                  Como dois braços pétreos da cidade,

                   Para os homens pedindo a Deus favores!

 

                   Nada perturba a expressão severa,

                   A ascética postura e o sossego

                   Dessas torres velhíssimas e sujas!

                   No rumor de luz da Primavera,

                   E o trissor  hediondo do morcego

                   E o chirrio agourento das corujas!

 

                   Sua  legenda é a imagem de Destinos

                   Que vão subindo iguais e iguais sonhando,

                   E, as mesmas canções ambos cantando,

                   Nas baladas helênicas dos sinos!

 

                   Nestas noites de vento e de geadas,

                   Ao calor do meu lar as rememoro,

                   Tão sombrias e mudas, engolfadas,

                   Na solidão da rua Deodoro!

 

Alunos: Cletson e Maressa - 3º. Ano II 

 

Agradecimentos e enxertos:

-Site da Academia Catarinense de Letras e Artes- Acadêmico Wesley O. Collyer- cadeira 2- Patrono  Othon da Gama Lobo D’Eça

- Site da Academia de Letras de Biguaçu- texto da Acadêmica

Vera Regina da Silva de Barcellos- cadeira 34- Othon da Gama Lobo D’Eça.

- Site da Academia São José de Letras –

-Texto do Acadêmico Artêmio Zanon- Cadeira 28- Othon da Gama Lobo d´Eça

-Site Literatura Catarinense Othon D’Eça

- XXVII Simpósio Nacional  da História- texto de Tamires Quesada Furtado

-Site- Vivendo e Descobrindo-  Depoimento da neta de Othon D’Eça

-Academia Catarinense de Letras – Acadêmico Celestino Sachet- cadeira 15 – Patrono Othon da Gama Lobo D’Eça

 

 

VERA REGINA DA SILVA DE BARCELLOS

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